QUEM SOMOS?



A Igreja Católica, no curso de tantas vozes (Movimentos, Congregações, Pastorais...), exprime aquilo que podemos chamar de sinfonia da fé.    Neste concerto, somos uma nova comunidade que se compromete, a partir do carisma que lhe foi confiado, a edificar a Igreja.  Somos uma semente de esperança e de transformação, um grão de trigo disposto a dar vida para produzir frutos no mundo contaminado por falsos modelos, que se encontra em agonia e sem referências sólidas diante do paradoxo das diversas possibilidades.       
Tudo começou nos encontros de oração, partilha e adoração.  Temos uma raiz carismática.  Nascemos da experiência do batismo no Espírito Santo no movimento chamado Renovação Carismática Católica. Os primeiros membros desta comunidade participaram desses grupos.  Ao longo da nossa caminhada, incorporamos também elementos da espiritualidade monástica que têm nos ajudado a aprofundar os carismas manifestados na efusão do Espírito Santo.
Inspirados no capítulo IV, verso 21, da Regra de São Bento, queremos viver a radicalidade do nosso batismo, a partir desta expressão: “Nihil amori Christi praeponere.” (Nada antepor ao amor de Cristo).  Assumimos a oração como prioridade em nossas vidas, privilegiando a Liturgia como meio de escuta e de encontro com o Senhor.  A partir do contato pessoal com Cristo na Palavra e em comunhão com o Santo Papa e os bispos, queremos contribuir para evangelização, santificação e formação integral de todos os homens e mulheres que o Senhor nos enviar.


Espiritualidade

O  cerne da nossa comunidade, bem como de toda a Igreja é o amor.   À luz da Regra de São Bento, percebemos que a nossa espiritualidade está centrada na máxima “Nihil amori Christi praeponere” (RB 4,21), que significa nada antepor ao amor de Cristo.   Todos os consagrados na Missão em Teu Altar devem estar cientes de que nossa vocação é fundamentada na oração.  Nada lhes pode ser mais precioso que a leitura orante, a liturgia e a adoração.  Cristo, na sua Palavra, é a nossa meta para alcançarmos a finalidade que é a santidade.  Cremos que através do contato diário e pessoal com a Palavra de Deus é possível construir uma relação íntima de amor com o Nosso Senhor.  Nesta oração contemplativa, é Ele quem fala, quem responde e quem ama primeiro.  
 Entendemos que tal amor liberta os que estão presos, restaura a vista aos cegos e restitui a verdadeira liberdade.  A raiz do nosso carisma está no trecho do Evangelho de Lucas no qual Jesus, após ser tentado no deserto, se dirige à sinagoga e proclama as seguintes palavras do Livro do Profeta Isaías:
                                                              
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres;
enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista,
para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.  (Lc 4, 18-19)


Sabemos que este carisma não é exclusivo para a nossa comunidade, mas é um dom de Deus para toda a humanidade.  A partir dele, queremos evangelizar através de uma catequese cristocêntrica e pneumatológica que leve as pessoas a um encontro pessoal com Jesus.  Nossa comunidade pretende aprofundar o itinerário de Iniciação Cristã a partir da experiência da efusão do Espírito Santo uma vez que esta é parte integral da conversão nas primeiras comunidades.
Os textos bíblicos e os testemunhos dos antigos autores cristãos levam-nos a acreditar que a iniciação à vida no Espírito estava diretamente associada à iniciação na vida sacramental.  Os catecúmenos passavam por uma profunda transformação pascal que os introduzia na comunhão com Deus e com os homens.  Não era concebível que alguém pudesse incorporar Cristo sem conversão de vida.
Hoje, devemos considerar que a preparação e a recepção dos sacramentos de Iniciação Cristã divergem bastante da situação missionária da Igreja primitiva e da práxis sacramental patrística. É bem verdade que, em muitos lugares, o ritual de Iniciação Cristã dos adultos é ainda bastante ignorado pelos pastores da Igreja e pelo povo de Deus, e parece não ter sido ainda devidamente integrado nos planos da pastoral dos sacramentos.


Carisma
Na nossa vida cotidiana, temos percebido que somos uma profecia para o séc. XXI, porque sensíveis aos clamores da Igreja, queremos levar o maior números de homens possível ao encontro da pessoa Jesus Cristo. Sim, promover este encontro com o Cristo nos Sacramentos é algo que já experimentamos. O processo catecumenal que já vem sendo desenvolvido em nossa comunidade como fruto de uma experiência do Batismo no Espírito Santo, de uma efusão testemunhada por muitos irmãos, que desejam, sobretudo, viver a radicalidade da santidade como “medida alta” da vida cristã ordinária.
Toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direção. Devemos sempre colocar a programação pastoral sobre o signo da santidade. Perguntar a um catecúmeno: “Queres receber o Batismo?” significa ao mesmo tempo pedir-lhe: “Queres fazer-te santo?”. Significa colocar, no seu caminho, o radicalismo do Sermão da Montanha: “Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste.”
Qual é a conclusão do carisma? Quem responde é o Fundador: “Ainda bem que tenho a vida inteira para respondê-la!” (risos) Começamos uma nova etapa. Tentarei, com a ajuda do Espírito Santo, aprofundar o que significa “proclamar a Boa Nova, curar, libertar, restaurar e anunciar o ano da graça.”
Fica-nos, como inspiração, este texto que o Beato João Paulo II durante o I Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais e Nova Comunidades, em 30 de maio de 1998, proclamou:
 “Os verdadeiros carismas não podem senão tender para o encontro com Cristo nos Sacramentos. As verdades eclesiais a que aderis ajudaram-vos a redescobrir a vocação batismal, a valorizar os dons do Espírito recebidos na Confirmação, a confiar-vos à misericórdia de Deus no Sacramento da Reconciliação e a reconhecer na Eucaristia a fonte e o ápice da inteira vida cristã. E de igual modo, graças a essa forte experiência eclesial, surgiram esplendidas famílias cristãs abertas à vida, verdadeiras “igrejas domésticas”, desabrocharam muitas vocações ao sacerdócio ministerial e à vida religiosa, assim como novas formas de vida laical inspiradas nos conselhos evangélicos. Nos movimentos e nas novas comunidades aprendestes que a fé não é questão abstrata, nem vago sentimento religioso, mas vida nova em Cristo, suscitada pelo Espírito Santo.”
Vocação
Por fim, o nosso amor não é sentimento, mas, decisão. Não queremos ser julgados, “adorados” pelos carismas e nem pelas profecias, mas sim, pelo amor. Sabemos que os verdadeiros cristãos são aqueles que encontraram Deus no coração. A nossa evangelização não tem pressa, porque a verdadeira pressa que Deus tem de cada um de nós é o nosso amor e a nossa intimidade com Ele.  Mais do que um apostolado, Deus quer que nos amemos uns aos outros. Nós fomos chamados como comunidade nova para viver o amor fraterno. A base do nosso anúncio é o amor. O que sustenta a comunidade não são os trabalhos que ela realiza e sim a vida fraterna, o amor entre os irmãos. As verdadeiras vocações surgem quando o nosso amor fraterno atrai o outro. Quanto maior for a intensidade de nossa vida fraterna, maior será o anúncio do Evangelho.
“Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? Ele lhe respondeu:”Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta meus cordeiros”. Segunda vez disse-lhe: “Simão, filho de João, tu me amas?” – “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta minhas ovelhas”. Pela terceira vez lhe disse: “Simão, filho de João tu me amas?” Entristeceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara “Tu me amas?” e lhe disse: “Senhor, tu sabes de tudo; tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta minhas ovelhas. Em verdade, em verdade, te digo: quando eras jovem tu te cingias e andavas por onde querias; quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te conduzirás aonde não queres.” (Jo 21,15-18) 
(Carisma de Fundação)

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